quinta-feira, 18 de setembro de 2008

“Com a boca na trombeta. Pela internet.”

No mundo inteiro, é cada vez maior o número de militantes ou simpatizantes de alguma causa ambiental, política ou social que usam a rede como espaço de mobilização, como uma ferramenta da prática democrática. Uma das ações mais recentes, campeã em adesões, foi uma petição online contra o projeto de lei, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB), que enquadra crimes cometidos por meio da internet. No início de agosto, a lista virtual já havia acarretado 100 mil assinaturas, tendo se tornado, em poucos dias, a petição mais ativa do site Petição Online. Embora não seja o ciberativismo (militância na internet) em si que gera resultados, mas o efeito que causa fora da rede. No caso de petições ou e-mails para políticos, não se espera que um deputado, vereador, senador, ministro, juiz ou presidente se sensibilize com a ação organizada via rede. No entanto, é um excelente veículo para instigar o debate público e o protagonismo da população.
O conceito de ciberativismo, que surgiu há dez anos abrange movimentos colaborativos, comunidades online, blogs, fóruns, grupos de discussões e sites com informações públicas na rede.
A ONG Greenpeace fez a primeira ação na rede em 1988, com uma campanha em defesa da Amazônia. Desde o início, essa ferramenta foi responsável por mobilizar milhares de militantes em todo o mundo.
O êxito do ativismo virtual também foi comemorado na suspensão do leilão da Receita Federal para a compra de 44.087 licenças do Microsoft Office 2007, em agosto de 2007. O pregão foi cancelado devido a uma campanha encabeçada por ativistas do software livre, já que era uma compra desnecessária, pois há programas gratuitos com aplicativos equivalentes. Exemplos de sucesso não faltam. O programa "CQC (Custe o Que Custar)", da Band, proibidos de gravar entrevistas no Congresso Nacional, em Brasília, lançou uma campanha pela internet para questionar o veto. A pressão do público fez os políticos recuarem, abrindo as portas do Poder Legislativo. Há poucos meses, em São Paulo, outra mobilização articulada por e-mails e blogs reuniu cerca de 300 manifestantes dispostos a passear completamente nus pela Avenida Paulista, para protestar contra a violência enfrentada por ciclistas no trânsito paulista.
Outra novidade que amplia a participação cidadã online é o programa Orçamento Participativo digital, realizado desde 2006, em Belo Horizonte, onde a população ajudou a decidir sobre execução de obras locais.
É fato que a internet tornou mais simples e rápidas atitudes como combater a corrupção defender a natureza, cobrar o cumprimento dos direitos humanos em todo o planeta. Porém, desde que o cidadão esteja conectado. E é exatamente essa a pedra no sapato dos ciberativistas: atingir grupos sociais desconectados, pois a exclusão digital continua a ser um dos maiores desafios.

Este texto foi baseado em uma matéria da revista ARede, Tecnologia para a inclusão social, agosto de 2008.

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